Como é feito o tijolo cerâmico: o surpreendente processo industrial que movimenta a construção civil no Brasil
Quem busca entender como é feito o tijolo cerâmico precisa começar pela origem do processo: a natureza. A fabricação tem início muito antes de chegar à linha de produção, com a extração da principal matéria-prima, a argila. Esse material se forma naturalmente ao longo de milhares de anos em solos ricos em minerais, especialmente nas margens de rios e bacias sedimentares. A abundância e a plasticidade da argila garantem a moldagem perfeita e a resistência necessária após a queima, fatores essenciais para o desempenho do tijolo.
O processo de extração segue normas ambientais que preservam o equilíbrio ecológico e asseguram a sustentabilidade da produção. Empresas especializadas realizam o desmonte e o carregamento da argila diretamente das jazidas até o transporte. Assim, cada etapa ocorre de modo controlado e eficiente, unindo produtividade e responsabilidade ambiental.
Seleção e Análise Laboratorial

Para compreender com precisão como as indústrias produzem o tijolo cerâmico, o leitor precisa observar o rigor técnico que define a seleção da argila. As fábricas escolhem tipos específicos, como a argila vermelha e a preta, e extraem esses materiais apenas de jazidas legalizadas para garantir a sustentabilidade de todo o processo. Logo após a coleta, os técnicos enviam as amostras aos laboratórios e realizam ensaios físicos e químicos que medem plasticidade, granulometria e pureza. Quando os resultados alcançam os padrões exigidos, a equipe libera o material e o encaminha diretamente às cerâmicas.
Na sequência, os operadores utilizam retroescavadeiras para extrair a argila e carregam o material em caminhões-caçamba, que transportam a carga com segurança e agilidade até a área de preparação. Essa organização contínua assegura um fluxo produtivo estável e reduz perdas durante o processo. Além disso, o controle rigoroso em cada fase mantém a eficiência, a sustentabilidade e a uniformidade técnica. Dessa forma, o modo como as indústrias produzem o tijolo cerâmico reflete planejamento detalhado, responsabilidade ambiental e compromisso com os padrões de qualidade industrial.
Preparação da Massa e Sazonamento
Para compreender como as indústrias produzem o tijolo cerâmico, o leitor precisa entender o cuidado que elas dedicam à preparação da argila. Ao chegar à fábrica, ela não segue direto para a moldagem. Antes, passa por etapas que ajustam sua homogeneidade e plasticidade. Essa fase é crucial para garantir um produto final resistente, uniforme e sem deformações após a queima.
Estocagem e Descanso (Sazonamento)
A argila é descarregada e armazenada em pátios a céu aberto ou em depósitos cobertos, dependendo das condições climáticas e do tipo de solo. Esse período, chamado de sazonamento, tem a função de permitir que o material descanse e se estabilize. Durante meses, ou até um ano, ocorre a descompactação dos grãos e a melhoria da plasticidade e da trabalhabilidade. Assim, a argila se torna mais adequada para moldagem, evitando fissuras e imperfeições nas peças cerâmicas.
Moagem, Destorroamento e Mistura
Após o descanso, o processo industrial segue para o destorroamento, que quebra os blocos maiores de argila em fragmentos menores. Em seguida, o caixão alimentador regula o fluxo do material, garantindo ritmo constante à produção. Desintegradores e moinhos trituram e refinam a massa, reduzindo o tamanho das partículas e eliminando impurezas. A etapa de mistura e umidificação adiciona água com precisão até atingir cerca de 22% de umidade, o ponto ideal para extrusão. Em processos de alta qualidade, a argila ainda repousa de sete a dez dias para atingir plena homogeneização antes da moldagem.
O Processo de Conformação e Moldagem

Para entender como é feito o tijolo cerâmico, o leitor precisa conhecer a etapa em que os técnicos moldam a argila e definem sua densidade. Depois da preparação e homogeneização da massa, o material segue para a fase de conformação, passando por equipamentos que moldam e compactam a estrutura. O objetivo é garantir uniformidade e resistência, características essenciais para o desempenho do produto final.
Laminação
Durante a laminação, rolos metálicos comprimem a massa argilosa, expulsando o ar e reduzindo a porosidade. Essa compressão torna o material mais denso e melhora sua coesão. Em algumas linhas industriais, os rolos ajustam a argila a uma espessura de cerca de 3 milímetros, eliminando pequenas pedras ou partículas que poderiam causar defeitos. Essa etapa aumenta a qualidade superficial e prepara a massa para a extrusão.
Extrusão (A Maromba)
Após a laminação, o material segue para a maromba, também chamada de extrusora. Nesse ponto, o processo de como é feito o tijolo cerâmico chega a uma das etapas mais críticas. A câmara de vácuo remove completamente o ar interno, garantindo compactação total. Em seguida, uma hélice ou pistão empurra a massa por uma boquilha, moldando o perfil do tijolo de acordo com o modelo desejado. Assim, definem-se a altura e a largura do bloco, criando uma coluna contínua de argila compactada.
O Corte Preciso
Na sequência, a esteira transporta a coluna até o sistema de corte. Fios de aço tensionados, conhecidos como cordoalhas, realizam cortes regulares nas dimensões definidas pela ABNT. Dessa forma, o tijolo adquire o tamanho padrão e segue pronto para as etapas de secagem e queima.
Secagem: A Remoção da Umidade
Para compreender completamente como é feito o tijolo cerâmico, é essencial examinar com atenção a fase de secagem. Assim que os operadores cortam o tijolo, ele ainda retém grande quantidade de água acumulada durante as etapas de mistura e moldagem. Caso siga direto para o forno, o vapor gerado pela evaporação repentina causaria rachaduras ou até explosões. Por esse motivo, a indústria realiza a secagem antes da queima, removendo gradualmente a umidade da massa.
Nessa etapa, cada minuto influencia o resultado final. Os técnicos controlam cuidadosamente o processo para evitar defeitos estruturais, como trincas, empenamentos e deformações. Enquanto a secagem avança, a argila perde a água livre e parte da água de adsorção, o que aumenta sua estabilidade e resistência. Com isso, o controle térmico garante tanto a durabilidade quanto o bom aspecto do produto.
Nas linhas industriais automatizadas, as esteiras transportam os tijolos até os secadores, onde o ar quente circula de maneira uniforme e promove uma evaporação equilibrada. O ciclo completo de secagem dura entre 30 e 48 horas, variando conforme o tipo de argila e o tamanho das peças. Essa variação assegura uniformidade entre os lotes, além de evitar retrabalhos e desperdícios.
Além disso, as cerâmicas que buscam maior eficiência reaproveitam o calor liberado no resfriamento dos fornos para aquecer as estufas. Assim, o processo de secagem se torna mais sustentável e econômico, comprovando que como é feito o tijolo cerâmico também reflete inovação e responsabilidade ambiental.
A Queima: Garantindo Resistência e Durabilidade

Para entender profundamente a fabricação do tijolo cerâmico, o leitor precisa avançar até a etapa mais transformadora do processo: a queima. Depois da secagem, as peças ganham o caminho do forno, onde ocorrem reações químicas que aumentam a densidade, a dureza e a resistência mecânica. Essa fase consolida as propriedades que definem a qualidade do material utilizado em obras estruturais e de vedação.
O Forno Túnel e as Temperaturas
Nas indústrias modernas, os operadores empilham cuidadosamente os tijolos secos em vagões metálicos e utilizam sistemas automatizados para conduzir o processo. Esses vagões entram em fornos do tipo túnel, longos corredores térmicos que conduzem as peças por diferentes zonas de aquecimento. O percurso garante que o calor atue de modo gradual e uniforme em toda a carga.
Durante o processo, a temperatura se eleva progressivamente até atingir de 700∘C a 900∘C. Esse aquecimento provoca a sinterização da argila, isto é, a fusão parcial das partículas, responsável por dar rigidez e impermeabilidade ao tijolo. O ciclo completo de queima dura, em média, 15 horas, tempo suficiente para eliminar os últimos traços de umidade e consolidar a estrutura interna.
A chama do forno consome combustíveis de fontes renováveis, como madeira e pó de serragem de reaproveitamento, o que reforça o compromisso ambiental do setor cerâmico. Após a queima, os tijolos passam por um resfriamento lento, passo essencial para evitar choques térmicos ou fissuras. Dessa forma, o processo consolida a resistência do produto e evidencia, na prática, a fabricação eficiente, sustentável e tecnicamente controlada do tijolo cerâmico.
Inspeção e Classificação

Depois do resfriamento, a fabricação do tijolo cerâmico avança para a fase de controle de qualidade, uma das mais rigorosas da produção. Nessa etapa, os técnicos examinam cada peça, identificam rachaduras, deformações ou diferenças de cor e removem imediatamente os tijolos que não atendem ao padrão. Assim, apenas os produtos em perfeitas condições avançam para as próximas etapas do processo.
Logo depois, a equipe realiza a classificação dos lotes, separando as peças conforme o padrão dimensional e o tipo de acabamento. Em seguida, os profissionais coletam amostras representativas de cada lote e executam ensaios técnicos de acordo com as normas nacionais e internacionais. Esses testes verificam propriedades essenciais do material, como absorção de água, resistência à compressão e uniformidade das medidas. Quando os resultados atendem aos parâmetros exigidos, as indústrias liberam o produto para receber certificações de qualidade concedidas por órgãos como o INMETRO e o PSQ. Dessa forma, o processo assegura credibilidade, desempenho confiável e conformidade técnica para o uso do tijolo cerâmico nas construções.
Sustentabilidade e Reaproveitamento
O setor cerâmico avança constantemente em sustentabilidade e adota práticas que reduzem desperdícios e impactos ambientais. Durante o processo de produção, as indústrias coletam rebarbas, sobras e peças danificadas e as direcionam novamente à etapa de preparação. Nessa fase, os operadores moem esses resíduos e os reintegram à mistura em proporções controladas, o que mantém a qualidade do produto final. Além disso, as fábricas modernas evitam a geração de efluentes líquidos, já que toda a água utilizada na massa evapora naturalmente durante a secagem. Desse modo, a forma como as indústrias produzem o tijolo cerâmico atualmente revela um equilíbrio sólido entre tecnologia, eficiência produtiva e responsabilidade ambiental.



