Pirâmide do Egito: Mistério da Cidade Subterrânea a 650 Metros

Desde a Antiguidade, a pirâmide do Egito desperta fascínio em estudiosos, exploradores e curiosos do mundo inteiro. Seja pela grandiosidade de sua arquitetura, seja pelos mistérios que cercam sua construção, essas estruturas milenares continuam a instigar a imaginação coletiva e a motivar pesquisas científicas até os dias atuais.

Recentemente, uma nova alegação reacendeu o interesse global: dois pesquisadores afirmam ter descoberto uma vasta cidade subterrânea sob o Complexo de Gizé, mais precisamente abaixo da pirâmide de Quéfren. A notícia viralizou nas redes sociais e gerou debates acalorados sobre a veracidade e o impacto dessa possível revelação.

Vista aérea impressionante da pirâmide de Quéfren, sob a qual pesquisadores alegam existir uma cidade subterrânea a 650 metros de profundidade.
Pirâmide do Egito vista do alto

Diante disso, o tema retorna com força ao meio acadêmico e arqueológico. Ele levanta discussões relevantes sobre a aplicação de novas tecnologias em sítios históricos e os desafios envolvidos nesse processo. Além disso, o debate explora os limites entre ciência e especulação, ao mesmo tempo em que reforça o interesse pelos segredos ainda ocultos sob cada pirâmide do Egito.

A Pirâmide do Egito em foco: Quéfren

Entre todas as construções monumentais do antigo Egito, a pirâmide do Egito conhecida como Quéfren se destaca por sua imponência e estado de preservação. Localizada no coração do Planalto de Gizé, ela é a segunda maior entre as três pirâmides principais, perdendo em altura apenas para a pirâmide de Quéops, mas superando-a em elevação devido ao terreno onde foi construída. Ao lado da famosa Esfinge, Quéfren compõe um dos cenários arqueológicos mais emblemáticos do mundo.

Imagem ilustrativa do uso da tecnologia SAR que identificou possíveis túneis e câmaras ocultas sob a pirâmide do Egito.
Radar revela estruturas sob a pirâmide do Egito

Ao longo das décadas, essa pirâmide intrigou arqueólogos e pesquisadores por esconder enigmas ainda não totalmente explicados. Diversas investigações tentaram desvendar sua real estrutura interna, a função original de suas câmaras e a possibilidade de túneis subterrâneos conectando-a a outras partes do complexo. Esses mistérios alimentaram teorias alternativas e hipóteses sobre propósitos que iam além de uma simples tumba faraônica.

Foi justamente esse potencial oculto que motivou o estudo mais recente, conduzido por pesquisadores italianos e escoceses. Eles escolheram a pirâmide de Quéfren como foco principal por acreditarem que sua base abriga estruturas desconhecidas, possivelmente conectadas a uma suposta cidade subterrânea. Utilizando tecnologia avançada de imageamento, a equipe buscou revelar o que ainda permanece escondido sob a pirâmide do Egito e reacendeu o debate científico sobre a verdadeira complexidade do Planalto de Gizé.

A descoberta: suposta cidade subterrânea

Representação artística da possível rede de túneis subterrâneos a 650 metros abaixo da pirâmide de Quéfren.
Cidade oculta sob a pirâmide do Egito?

Nos últimos meses, uma nova teoria envolvendo a pirâmide do Egito voltou a chamar a atenção do mundo. Os cientistas Corrado Malanga, da Universidade de Pisa, e Filippo Biondi, da Universidade de Strathclyde, divulgaram uma alegação surpreendente: a existência de uma cidade subterrânea sob o Planalto de Gizé, mais especificamente abaixo da pirâmide de Quéfren.

Segundo os pesquisadores, uma análise realizada com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR), aliada a dados sísmicos naturais e modelagem 3D, revelou estruturas complexas e geométricas ocultas no subsolo. Entre as formações identificadas, destacam-se oito grandes estruturas cilíndricas, além de câmaras em forma de cubo e poços verticais, interligados por passagens simétricas e precisas.

De acordo com o levantamento apresentado, a extensão total da suposta cidade subterrânea ultrapassa 2 mil metros de comprimento. Além disso, sua profundidade chega a 648 metros abaixo da superfície. Caso esses dados se confirmem, eles podem redefinir a forma como os estudiosos interpretam não apenas a pirâmide de Quéfren, mas também todo o simbolismo e a função das antigas pirâmides do Egito.

Metodologia utilizada

Fotografia da base da pirâmide de Quéfren, onde cientistas detectaram formações geométricas supostamente artificiais.
Pirâmide do Egito e os mistérios do subsolo

Para sustentar a alegação da existência de uma cidade subterrânea sob a pirâmide do Egito, os cientistas Corrado Malanga e Filippo Biondi recorreram a uma metodologia baseada em alta tecnologia. Como principal recurso, eles utilizaram o radar de abertura sintética, conhecido como SAR (Synthetic Aperture Radar). Essa técnica avançada de imageamento permite mapear estruturas subterrâneas com elevada precisão, chegando a detalhes em nível milimétrico.

Além disso, os pesquisadores implementaram um upgrade fundamental no processo: integraram dados captados por satélites em órbita, o que possibilitou ampliar o alcance da leitura e obter informações mais detalhadas das camadas internas do solo. Com o auxílio de algoritmos computacionais, a equipe criou modelos tridimensionais do subsolo ao redor da pirâmide de Quéfren.

Outro ponto inovador do estudo foi a conversão dos sinais de radar em dados fonônicos e térmicos, capazes de medir vibrações, ressonâncias e diferenças de densidade entre os materiais detectados. Esse cruzamento de informações facilitou a identificação de possíveis cavidades, passagens e estruturas ocultas.

Dessa forma, a equipe analisou a área sob a pirâmide do Egito em profundidade, sem a necessidade de escavações físicas, o que torna o método não invasivo, ágil e eficiente para estudos arqueológicos em locais de valor histórico inestimável.

Análises e controvérsias

Renderização simulada das supostas câmaras cúbicas e estruturas cilíndricas encontradas sob a pirâmide do Egito.
Câmaras e túneis a 650 metros

Apesar do impacto das descobertas apresentadas, a comunidade científica recebeu com cautela a teoria da cidade subterrânea sob a pirâmide do Egito. Especialistas renomados, como o professor Lawrence Conyers, da Universidade de Denver, e o egiptólogo Zahi Hawass, manifestaram críticas contundentes ao estudo.

Conyers, especialista em radar aplicado à arqueologia, destacou que o SAR (radar de abertura sintética) apresenta limitações técnicas importantes. Segundo ele, a tecnologia não consegue alcançar profundidades tão extremas quanto as alegadas no estudo. Além disso, ele acredita que a interpretação dos dados vai além do que o próprio equipamento pode oferecer. Por outro lado, o egiptólogo Zahi Hawass classificou a alegação como infundada. Para ele, os métodos utilizados não seguem os padrões científicos aceitos e ainda carecem de validação por instituições arqueológicas reconhecidas.

Além disso, o novo estudo não passou por revisão por pares, etapa essencial para garantir a confiabilidade e a legitimidade de qualquer descoberta científica. Essa ausência compromete a credibilidade da pesquisa e levanta questionamentos sobre a forma como os dados foram analisados e apresentados ao público.

Mesmo com tantas críticas, alguns especialistas reconhecem que podem existir estruturas menores ou câmaras subterrâneas sob a pirâmide do Egito, possivelmente anteriores à construção da pirâmide. No entanto, a ideia de uma cidade inteira abaixo do complexo ainda parece exagerada diante das evidências disponíveis até o momento.

Implicações e hipóteses

Ilustração do radar de abertura sintética (SAR) utilizado para mapear o subsolo da pirâmide do Egito sem escavação física.
Tecnologia a serviço da arqueologia

Diante da possibilidade de haver estruturas subterrâneas sob a pirâmide do Egito, surgem diversas implicações e hipóteses. Essas suposições alimentam tanto o imaginário popular quanto o interesse do meio acadêmico. Entre as mais citadas, destaca-se a ligação com o lendário Salão dos Registros (Hall of Records) — uma suposta câmara secreta que, segundo teorias antigas, abrigaria conhecimentos avançados da civilização egípcia. Teorias antigas sugerem que esse espaço estaria escondido justamente sob as pirâmides de Gizé ou próximo à Esfinge.

Além disso, pesquisadores levantam a hipótese de que as cavidades identificadas tenham desempenhado funções ritualísticas ou simbólicas. Segundo essa perspectiva, elas poderiam ter servido como passagens espirituais ou espaços de preparação para cerimônias. Além disso, alguns estudiosos sugerem que essas estruturas teriam sido projetadas para amplificar sons e vibrações durante rituais religiosos. Essas hipóteses ganham força especialmente entre estudiosos que buscam compreender o simbolismo da arquitetura egípcia em sua totalidade.

Para reforçar esse tipo de interpretação, muitos estudiosos fazem comparações com práticas de outras civilizações antigas, como os maias. Esses povos frequentemente construíam pirâmides sobre cavernas ou entradas naturais, consideradas sagradas por sua ligação com o mundo espiritual. Assim como ocorre no Egito, essas estruturas revelam uma intenção arquitetônica que ultrapassa o aspecto visual. Além disso, elas demonstram um propósito simbólico mais profundo, ao conectar o céu, a terra e o subsolo em uma composição integrada e espiritual.

Dessa forma, a possível existência de passagens e câmaras sob a pirâmide do Egito levanta questionamentos que vão além da arqueologia tradicional. Além de desafiar o conhecimento atual, essa hipótese reacende debates sobre a verdadeira função dessas construções milenares e seus possíveis significados simbólicos ou espirituais.

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