Contrapiso: Definição, Etapas Construtivas e Traço Ideal

O que é Contrapiso

O contrapiso é uma camada de argamassa ou concreto aplicada entre a estrutura da edificação (como lajes ou o solo compactado) e o revestimento final do piso. Ele possui, geralmente, de 3 a 5 centímetros de espessura e tem como principal objetivo garantir uma base firme, nivelada e resistente para a instalação de pisos cerâmicos, porcelanatos, vinílicos, laminados, entre outros.

Diferente da base, que pode ser o solo compactado ou a própria laje estrutural, o contrapiso atua como uma etapa intermediária. Ou seja, ele vem acima da base e abaixo do revestimento, funcionando como um elo essencial entre a estrutura e o acabamento. Já o revestimento é a camada visível que compõe o acabamento final, responsável pela estética e pela funcionalidade do ambiente.

Profissional espalha argamassa sobre o contrapiso, seguindo os critérios da NBR 12260 para ambientes de alta solicitação mecânica.
Aplicação de argamassa de alta resistência

Além de nivelar a superfície, o contrapiso desempenha funções importantes para o conforto e a durabilidade do ambiente. Ele corrige irregularidades, distribui cargas uniformemente, evita o surgimento de trincas no revestimento e ainda contribui para o isolamento térmico e acústico do espaço. Isso torna o ambiente mais estável, silencioso e confortável.

Portanto, o contrapiso é muito mais do que uma camada de argamassa. Ele é uma base técnica essencial para garantir que o revestimento final seja instalado com qualidade, durabilidade e segurança.

Tipos de Contrapiso: Qual Escolher para Sua Obra?

Ao planejar a execução do contrapiso, é essencial entender os diferentes tipos disponíveis e suas aplicações. Cada modelo atende a uma necessidade específica da obra, seja ela residencial, comercial ou industrial. A seguir, você confere os principais tipos de contrapiso e quando utilizar cada um deles.

Contrapiso Simples

O contrapiso simples é o mais utilizado em obras residenciais e ambientes internos com tráfego leve ou moderado. Ele é composto basicamente por argamassa de cimento e areia, com traço tradicional como o 1:0,25:6 (cimento: cal: areia). Esse tipo de contrapiso oferece bom nivelamento e resistência suficiente para suportar o piso final em áreas sem grandes exigências estruturais.

Contrapiso Armado

Piso finalizado com argamassa de alto desempenho, adequado para suportar o tráfego intenso de veículos leves e pesados.
Garagem com contrapiso reforçado

Já o contrapiso armado conta com a adição de malhas ou telas de aço em sua composição. Essa armadura garante maior resistência mecânica, tornando o contrapiso ideal para áreas com tráfego intenso, cargas elevadas ou onde há tubulações embutidas. Garagens, calçadas, áreas externas e ambientes industriais se beneficiam desse tipo de contrapiso. Além disso, ele reduz o risco de trincas e deformações estruturais.

Contrapiso Autonivelante

Moderno e prático, o contrapiso autonivelante utiliza uma argamassa fluida que se espalha sozinha pela superfície, garantindo nivelamento perfeito com agilidade. Sua aplicação, geralmente mecânica, acelera o cronograma da obra e exige menos mão de obra. Esse tipo é ideal para grandes áreas internas que exigem acabamento de alta precisão, como salas comerciais, hospitais e residências com piso vinílico ou laminado.

Contrapiso Flutuante

O contrapiso flutuante é menos comum em obras convencionais, mas fundamental em projetos que priorizam o conforto acústico e térmico. Ele se destaca por não estar diretamente aderido à base estrutural, já que conta com uma manta isolante entre as camadas. É muito usado em estúdios, apartamentos e ambientes onde o isolamento de som ou temperatura é uma prioridade.

Quando Usar Cada Tipo de Contrapiso?

Para áreas internas secas, o contrapiso simples atende bem. Em espaços molhados ou com grande circulação, o contrapiso armado é mais indicado. Em situações que exigem nivelamento preciso e rapidez de execução, o autonivelante é a escolha ideal. Já em locais que necessitam de isolamento acústico ou térmico, o contrapiso flutuante oferece a solução mais eficiente.

Em resumo, a escolha do contrapiso ideal depende da função do ambiente, das exigências técnicas do projeto e do tipo de revestimento que será instalado. Avaliar corretamente essas variáveis é o primeiro passo para garantir uma base sólida, estável e duradoura para o piso final.

Materiais Utilizados no Contrapiso: O Que Não Pode Faltar

Piso sendo executado em ambiente industrial, com espessura e resistência adequadas conforme normas técnicas.
Execução de contrapiso em área industrial

Para garantir um contrapiso resistente, nivelado e durável, é fundamental escolher corretamente os materiais utilizados na sua composição. A qualidade da mistura influencia diretamente no desempenho da base e na durabilidade do revestimento final. Por isso, entender os insumos que compõem o contrapiso é o primeiro passo para uma obra bem executada.

Cimento, Areia e Cal Hidratada

A combinação clássica para preparar o contrapiso inclui cimento, areia média e cal hidratada. O cimento funciona como o aglomerante principal, oferecendo resistência e coesão. A areia, por sua vez, garante o volume e a estrutura da mistura. Já a cal hidratada melhora a trabalhabilidade da massa, facilita a aplicação e reduz a formação de fissuras ao longo do tempo. Esse trio forma o traço convencional, como o 1:0,25:6, muito utilizado em contrapisos simples.

Argamassa Industrializada

Além da mistura tradicional, muitas obras utilizam argamassa industrializada para facilitar a execução do contrapiso. Esse tipo de material já vem pronto para o uso, bastando adicionar a quantidade correta de água conforme a recomendação do fabricante. A principal vantagem é a padronização da mistura, que garante qualidade constante e reduz o risco de erro na dosagem dos componentes.

Tela Metálica ou Malha de Aço

Área de banho com impermeabilização aplicada antes da colocação do revestimento, prevenindo infiltrações.
Preparação para impermeabilização em banheiro

No caso de contrapiso armado, é necessário utilizar tela metálica ou malha de aço, geralmente do tipo Q-138 ou similar. Esse reforço estrutural distribui melhor as tensões e aumenta a resistência da base, evitando trincas causadas por movimentações ou sobrecargas. É importante posicionar a malha no terço superior da espessura do contrapiso para obter o melhor desempenho.

Aditivos e Niveladores de Piso

Para obras com exigências específicas, o uso de aditivos pode trazer benefícios extras. Existem aditivos que aceleram ou retardam o tempo de cura, aumentam a resistência ou até ajudam na impermeabilização do contrapiso. Já os niveladores de piso são indicados para corrigir desníveis leves de maneira prática e eficiente, especialmente quando o acabamento exige precisão, como em pisos vinílicos e laminados.

Escolher Bem Faz Toda Diferença

Portanto, escolher os materiais certos para o contrapiso garante não apenas a funcionalidade da base, mas também a qualidade do revestimento final. Avalie sempre as condições do ambiente e o tipo de uso do espaço antes de definir os insumos da sua obra. Com os materiais corretos e uma boa execução, o seu contrapiso se tornará a base sólida para um acabamento perfeito.

Traço de Argamassa para Contrapiso: Proporções Ideais para Cada Situação

Na hora de preparar o contrapiso, acertar o traço da argamassa faz toda a diferença no resultado final da obra. O traço define as proporções entre os materiais utilizados e influencia diretamente na resistência, aderência e trabalhabilidade da massa. Por isso, entender qual é o traço ideal para o seu projeto garante um contrapiso uniforme, estável e duradouro.

Traço Padrão 1:0,25:6

O traço mais comum para a execução do contrapiso é o 1:0,25:6, que representa a proporção em volume de cimento, cal hidratada e areia, respectivamente. Essa composição equilibra resistência e maleabilidade, tornando a argamassa fácil de aplicar e ao mesmo tempo resistente às cargas do dia a dia. A cal hidratada, presente em menor quantidade, melhora a trabalhabilidade e reduz o risco de fissuras após a cura.

Variações do Traço Conforme o Uso

Embora o traço 1:0,25:6 atenda bem à maioria das situações, você pode ajustá-lo conforme o tipo de contrapiso ou o ambiente de aplicação. Para áreas com tráfego intenso, como garagens ou comércios, recomenda-se reduzir a quantidade de cal ou aumentar a proporção de cimento, reforçando a resistência. Em contrapisos autonivelantes, por exemplo, a formulação inclui aditivos e maior fluidez, o que exige ajustes específicos na mistura.

Além disso, quando a obra utiliza argamassa industrializada, o traço já vem pronto, dispensando a medição manual dos componentes. Nesse caso, basta seguir as instruções do fabricante e adicionar água conforme indicado na embalagem.

Mistura Ideal e Consistência da Massa

A consistência da massa influencia diretamente na facilidade de aplicação e no nivelamento do contrapiso. A argamassa deve ter textura firme, porém maleável, permitindo o espalhamento sem escorrer. Misturas muito secas dificultam o nivelamento e podem comprometer a aderência. Por outro lado, massas muito líquidas causam retrações e rachaduras após a secagem.

Ao preparar o traço, adicione a água gradualmente até atingir o ponto ideal. Misture bem os ingredientes até obter uma massa homogênea, livre de grumos e com boa trabalhabilidade.

Como Calcular o Contrapiso: Fórmulas, Quantidades e Dicas Essenciais

Saber como calcular o contrapiso corretamente evita desperdícios, reduz custos e garante o andamento eficiente da obra. Com um bom planejamento, você consegue prever a quantidade ideal de materiais e garantir uma aplicação precisa da argamassa. Para isso, é importante seguir uma sequência lógica e utilizar fórmulas simples, mas eficazes.

Fórmula Para Cálculo do Volume de Contrapiso

O primeiro passo é calcular o volume total que será preenchido com o contrapiso. Para isso, utilize a fórmula:

Volume (m³) = Comprimento (m) × Largura (m) × Espessura (m)

Essa conta determina a quantidade de massa necessária para cobrir a área desejada, considerando a espessura ideal da camada, que geralmente varia entre 3 e 5 cm.

Quantidade de Materiais Por Metro Quadrado

Com o volume em mãos, você pode estimar os materiais necessários. De forma geral, o consumo de argamassa para contrapiso gira em torno de 17 kg a 20 kg por metro quadrado, considerando 1 cm de espessura.

Assim, para uma camada com 3 cm, por exemplo, o consumo fica entre 51 kg e 60 kg/m². Esses valores podem variar conforme o tipo de argamassa, a umidade da areia e o método de aplicação escolhido.

Exemplo Prático de Cálculo

Vamos supor que você deseje aplicar um contrapiso em um ambiente de 12 m² com espessura de 2 cm. O cálculo do volume será:

12 m² × 0,02 m = 0,24 m³

Agora, considerando o consumo médio de 17 kg/m²/cm, o total de argamassa será:

17 kg × 12 m² × 2 cm = 408 kg de argamassa

Esse valor representa a quantidade mínima necessária. Mas é sempre prudente adicionar uma margem extra.

Margem de Segurança: Evite Surpresas na Obra

Para garantir que não falte material durante a execução do contrapiso, inclua uma margem de segurança entre 5% e 10% sobre o total calculado. No exemplo acima, com 408 kg de argamassa, você deve considerar um adicional de:

  • 5%: 408 kg × 0,05 = 20,4 kg → Total: 428,4 kg
  • 10%: 408 kg × 0,10 = 40,8 kg → Total: 448,8 kg

Essa margem compensa perdas naturais, pequenas correções e ajustes de espessura ao longo da aplicação.

Espessura Ideal do Contrapiso: Saiba Como Definir de Forma Correta

Exemplo de revestimento comprometido por eflorescência, resultado da umidade que atingiu o contrapiso.
Efeitos da umidade em piso sem proteção

Definir a espessura ideal do contrapiso é uma etapa fundamental para garantir o desempenho e a durabilidade do piso final. Cada ambiente exige uma espessura específica, considerando fatores como carga, umidade e tipo de revestimento. Por isso, seguir as recomendações técnicas evita problemas futuros, como trincas, desníveis e desprendimentos.

Tabela com Espessuras Recomendadas para Contrapiso

As medidas abaixo servem como referência prática para diversos tipos de ambiente:

  • Áreas internas secas: entre 2 cm e 4 cm
    Ambientes como quartos, salas e corredores não exigem alta resistência, por isso, um contrapiso mais fino atende bem à necessidade.
  • Áreas molhadas: entre 3 cm e 4 cm
    Cozinhas, banheiros e áreas de serviço precisam de espessura um pouco maior para permitir a aplicação de impermeabilização e garantir resistência à umidade.
  • Áreas externas: entre 4 cm e 6 cm
    Expostas a intempéries e tráfego constante, áreas externas como varandas e quintais exigem contrapiso mais espesso e, muitas vezes, armado com tela metálica.
  • Lajes ou pisos elevados: entre 4 cm e 8 cm
    Para distribuir corretamente as cargas sobre lajes, o ideal é utilizar contrapisos mais espessos, garantindo estabilidade estrutural.

Por Que Seguir o Projeto é Essencial?

Vista superior de cozinha em obra, com manta líquida aplicada sobre o contrapiso para proteção contra vazamentos.
Camada impermeabilizante aplicada em cozinha

Mesmo com essas diretrizes, o mais importante é seguir o projeto da obra. O engenheiro ou arquiteto responsável avalia as condições específicas de cada ambiente e define a espessura ideal com base nas cargas previstas, nos materiais utilizados e no tipo de revestimento final.

Ignorar essas orientações pode comprometer toda a estrutura do contrapiso. Um erro comum é aplicar camadas muito finas em locais de alto tráfego, o que pode gerar falhas prematuras, descolamento do piso ou deformações visíveis.

Passo a Passo: Como Fazer o Contrapiso da Forma Correta

Executar o contrapiso com qualidade garante uma base firme, nivelada e pronta para receber qualquer tipo de revestimento. Para isso, é importante seguir cada etapa do processo com atenção, desde a preparação do ambiente até o tempo adequado de cura. Veja abaixo o passo a passo completo e evite erros que podem comprometer toda a sua obra.

1. Limpeza da Base

Antes de iniciar a aplicação do contrapiso, remova qualquer sujeira, restos de argamassa ou detritos soltos. Utilize ferramentas como vassoura, pá ou alavanca para garantir que a base esteja completamente limpa. Essa etapa é essencial para assegurar uma boa aderência da argamassa à superfície.

2. Apiloamento do Solo (Quando Necessário)

Em áreas onde o contrapiso será aplicado diretamente sobre o solo, como quintais ou calçadas, é necessário fazer o apiloamento. Essa compactação do solo evita afundamentos e garante uma base mais estável para receber a camada de argamassa.

3. Impermeabilização (Se Necessário)

Quando o ambiente é sujeito à umidade, como banheiros, cozinhas e áreas externas, aplique uma camada de impermeabilizante sobre a base. Essa proteção evita infiltrações, protege o contrapiso e aumenta a durabilidade do revestimento final.

4. Nível de Referência e Taliscas

Exposição de armadura metálica afetada pela falta de impermeabilização adequada no contrapiso.
Armadura corroída por infiltração

Utilize uma mangueira de nível, nível a laser ou régua para marcar a altura que o contrapiso deve alcançar. Em seguida, distribua as taliscas — pequenos blocos de cerâmica ou madeira — nos cantos e ao longo da área, garantindo que todas fiquem no mesmo nível. Elas vão orientar o espalhamento da argamassa.

5. Criação das Mestras

Entre as taliscas, crie as mestras, que são faixas guias feitas com a própria argamassa. Essas faixas ajudam a manter a espessura correta e facilitam o nivelamento durante a aplicação. Certifique-se de que as mestras estejam bem alinhadas e firmes.

6. Aplicação da Argamassa

Prepare a argamassa seguindo o traço adequado (como o 1:0,25:6) e comece a espalhá-la entre as mestras. Com o auxílio de uma enxada e desempenadeira, distribua o material de forma uniforme por toda a área.

7. Nivelamento e Acabamento

Com uma régua de alumínio ou madeira, nivele o contrapiso arrastando o excesso de argamassa sobre as mestras. Em seguida, use uma desempenadeira de madeira (para acabamento áspero) ou de aço (para acabamento liso), conforme o tipo de revestimento que será aplicado posteriormente.

8. Tempo de Cura

Após finalizar o contrapiso, respeite o tempo de cura antes de prosseguir com a instalação do piso. Aguarde pelo menos 3 dias para tráfego leve, 7 dias para tráfego normal e 28 dias para cura total. Durante esse período, mantenha a superfície levemente úmida para evitar fissuras.

Cuidados Durante e Após a Execução do Contrapiso

Trabalhador realiza o nivelamento da argamassa ainda fresca, etapa fundamental para garantir a planicidade e aderência do revestimento final.
Processo de nivelamento do contrapiso

Após aplicar o contrapiso, manter alguns cuidados é essencial para garantir que a base atinja sua resistência ideal e esteja pronta para receber o revestimento final. Muitos problemas, como trincas, desníveis e descolamento de pisos, surgem por falhas simples que poderiam ser evitadas com atenção nos detalhes pós-execução.

Respeite os Tempos de Tráfego

Logo após a execução do contrapiso, evite qualquer tipo de movimentação sobre a superfície. Para tráfego leve, como de pessoas e ferramentas leves, aguarde pelo menos 3 dias. Já para tráfego normal, o ideal é esperar 7 dias. No entanto, para que o contrapiso atinja sua cura completa, o prazo recomendado é de 28 dias. Esse tempo garante que a resistência mecânica se desenvolva corretamente.

Faça a Cura Úmida

Durante os primeiros dias após a aplicação, mantenha a superfície do contrapiso levemente úmida. A cura úmida ajuda a evitar fissuras e garante um ganho de resistência mais uniforme. Você pode borrifar água periodicamente ou cobrir a área com lona plástica para reter a umidade.

Verifique o Nivelamento

Após a secagem inicial, use uma régua metálica ou nível a laser para conferir se o contrapiso ficou perfeitamente plano. Em seguida, identifique possíveis falhas, como ondulações ou desníveis, e corrija essas imperfeições com argamassa niveladora. Vale destacar que, quanto mais regular for a base, melhor será o resultado do revestimento final.

Evite a Umidade Antes da Impermeabilização

Se o ambiente exige impermeabilização, como banheiros, áreas de serviço ou varandas, não exponha o contrapiso à umidade antes de aplicar o impermeabilizante. A infiltração precoce pode comprometer a aderência da proteção e gerar problemas como mofo, bolhas e infiltrações futuras.

Impermeabilização do Contrapiso: Quando Fazer e Como Garantir a Proteção

A impermeabilização do contrapiso representa uma etapa fundamental em qualquer obra que envolva ambientes com alta exposição à umidade. Ignorar esse cuidado pode gerar infiltrações, mofo, descolamento de revestimentos e até danos estruturais. Por isso, entender quando aplicar, quais os tipos e como executar corretamente esse processo é essencial para garantir a durabilidade e o bom desempenho do piso.

A Importância da Impermeabilização em Áreas Molhadas

Ambientes como banheiros, cozinhas, áreas de serviço, varandas e sacadas exigem atenção especial, pois, nessas áreas, o contato constante com a água aumenta o risco de infiltração. Consequentemente, quando a umidade atinge o contrapiso, ela pode comprometer tanto o revestimento superior quanto a estrutura inferior, sobretudo em apartamentos ou edificações com mais de um pavimento.

Ademais, além de proteger o contrapiso, a impermeabilização também impede que a umidade atinja armaduras metálicas, minimizando, assim, o risco de eflorescência e evitando o surgimento de manchas no piso.

Tipos de Impermeabilização para Contrapiso

Você encontra no mercado diferentes soluções para impermeabilizar o contrapiso, e a escolha depende do tipo de ambiente e das condições da obra:

  • Manta asfáltica: muito usada em lajes e áreas externas, garante ótima resistência à água. Requer aplicação com maçarico e aderência total ao contrapiso.
  • Manta líquida (membrana de poliuretano ou acrílica): ideal para banheiros e cozinhas. A aplicação é simples e feita com rolo ou pincel.
  • Argamassa polimérica: indicada para áreas internas e externas, pode ser aplicada diretamente sobre o contrapiso, formando uma barreira impermeável eficiente.
  • Impermeabilizantes incorporados à argamassa: aditivos específicos podem ser adicionados à mistura da argamassa durante a execução do contrapiso, oferecendo proteção adicional à umidade.

Quando e Como Aplicar a Impermeabilização

Você deve aplicar a impermeabilização antes da instalação do revestimento e após a cura inicial do contrapiso. Ou seja, após cerca de 3 a 7 dias, quando o contrapiso já oferece firmeza para suportar a aplicação do produto escolhido.

O processo exige uma base limpa, seca, sem fissuras ou desníveis. Em seguida, aplique o impermeabilizante conforme as orientações do fabricante, respeitando o número de demãos, tempo de secagem entre camadas e a necessidade de reforços em ralos e cantos.

Após a impermeabilização, evite qualquer tipo de tráfego na área até a cura completa do produto. Assim, você garante total aderência e eficácia na proteção contra a umidade.

Erros Comuns na Execução do Contrapiso: Saiba o Que Evitar na Sua Obra

Imagem de piso industrial curado corretamente, garantindo resistência e durabilidade conforme exigido pela NBR 12260.
Piso industrial curado e finalizado

Mesmo sendo uma etapa considerada simples, a execução do contrapiso exige técnica, atenção e planejamento. Quando feita de forma incorreta, essa base pode comprometer todo o revestimento final, gerando retrabalhos, prejuízos e dores de cabeça. Por isso, identificar e evitar os erros mais comuns durante a aplicação do contrapiso é essencial para garantir um resultado seguro e duradouro.

Espessura Inadequada

Um dos erros mais frequentes acontece na definição da espessura do contrapiso. Camadas muito finas não suportam bem o peso e as cargas aplicadas, o que leva ao surgimento de trincas e descolamento do revestimento. Por outro lado, espessuras excessivas aumentam o consumo de materiais e o tempo de cura sem necessidade.

Cada ambiente exige uma espessura adequada. Áreas internas secas geralmente pedem entre 2 e 4 cm, enquanto áreas externas ou lajes elevadas podem exigir entre 4 e 8 cm. Portanto, seguir as orientações do projeto garante a espessura correta para cada situação.

Falta de Nivelamento

Outro erro que compromete a qualidade do contrapiso é a falta de nivelamento. Um contrapiso irregular afeta diretamente a instalação do piso, criando desníveis, espaços vazios e falhas na aderência. Isso pode resultar em pisos estalando, desalinhados ou até mesmo soltos.

Para evitar esse problema, é importante utilizar taliscas e mestras como guias durante a aplicação da argamassa. Além disso, nivelar corretamente com régua e desempenadeira faz toda a diferença no acabamento final.

Má Compactação da Base

Antes de aplicar o contrapiso, a base precisa estar bem compactada, principalmente em áreas externas ou onde a argamassa será lançada diretamente sobre o solo. A má compactação provoca afundamentos, fissuras e instabilidade ao longo do tempo.

Por isso, sempre compacte o solo com ferramentas adequadas, como soquetes ou compactadores, e garanta uma superfície sólida e estável antes de iniciar a aplicação da argamassa.

Ausência de Juntas de Dilatação

Ignorar a necessidade das juntas de dilatação é um erro técnico grave. Essas juntas absorvem a movimentação natural do material, evitando trincas causadas por dilatação térmica ou retração da argamassa durante a cura.

A recomendação é criar juntas a cada 25 m² em áreas internas e 16 m² em áreas externas. Em ambientes longos, como corredores, também é necessário aplicar juntas intermediárias. Além disso, nunca esqueça de posicionar juntas em pontos estratégicos, como em torno de pilares, paredes e esquinas.

Normas Técnicas Aplicáveis ao Contrapiso: Veja o Que a ABNT Recomenda

Para garantir a qualidade, segurança e durabilidade de um contrapiso, seguir as normas técnicas é indispensável. As diretrizes da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) padronizam os critérios de projeto, execução e controle de qualidade, oferecendo um parâmetro confiável para profissionais da construção civil.

NBR 13753: Revestimento de Piso com Placas Cerâmicas

A norma NBR 13753 trata da execução de revestimento de pisos internos e externos com placas cerâmicas, utilizando argamassa colante. Embora o foco esteja nos revestimentos, a norma traz recomendações importantes sobre a preparação do contrapiso, incluindo requisitos de planicidade, resistência, aderência e tempo de cura.

Seguindo essa norma, você assegura que o contrapiso esteja adequado para receber o revestimento sem comprometer o desempenho e a durabilidade do acabamento.

NBR 12260: Piso com Argamassa de Alta Resistência Mecânica

Por outro lado, a NBR 12260 trata especificamente da execução de pisos com argamassa de alta resistência mecânica. Tal norma se aplica a contrapisos utilizados em ambientes com exigência estrutural elevada, como garagens, áreas industriais e pátios de carga.

Além disso, ela define critérios como espessura mínima, tipo de materiais, processo de aplicação e requisitos de desempenho. Dessa forma, ao seguir essa norma, você garante que o contrapiso suporte as cargas previstas no projeto sem que ocorram falhas prematuras.

Outras Normas Relacionadas

Além dessas duas, outras normas complementam o cuidado com a execução do contrapiso. Veja alguns exemplos:

  • NBR 7200 – trata do revestimento de paredes e tetos com argamassa inorgânica, oferecendo diretrizes úteis para preparar a base.
  • NBR 15575 – aborda o desempenho de edificações habitacionais, incluindo aspectos relacionados ao isolamento térmico e acústico, muitas vezes influenciados pela qualidade do contrapiso.
  • NBR 10844 – trata da execução de juntas de dilatação em pisos, essencial para evitar trincas em contrapisos de grande área.